Fósseis


    

    Última Ceia: Camarão

            Muitos peixes fósseis encontrados na formação Santana foram preservados com o conteúdo do estômago intacto e nos permitem ver exatamente qual foi a última refeição daqueles animais. Tal detalhe oferece aos cientistas uma excepcionalmente rara oportunidade para reconstruir a cadeia alimentar daquela comunidade de peixes já extintos. Nós podemos conhecer relações de presa e predador naquele ambiente, e assim, aprender sobre a ecologia da comunidade, incluindo sua estrutura e dinâmica populacional . Os peixes fósseis do nordeste brasileiro trazem vividamente à tona um passado distante onde a vida mostrava seu esplendor. Cientistas do Museu Americano de História Natural, em colaboração com cientistas no Brasil, continuam aproveitando as inigualáveis oportunidades de conhecimento oferecidas pelos fósseis encontrados na Formação Santana para estudar as interrelações de espécies extintas.

( Fotografia: American Museum of Natural History)

 

 

          Celacanto: "Fóssil Vivo"

       Celacantos são uma antiga linhagem de peixes que apareceram na Terra há cerca de 350 milhões de anos atrás, tempo em que as primeiras criaturas deixavam o ambiente marinho e se adaptavam para uma vida em terra. Foram encontrados vários fósseis de Celacanto na formação Santana, com mais de 100 milhões de anos. O Museu de Paleontologia de Santana do Cariri possui um raro exemplar de um "bebê" Celacanto encontrado numa laje calcárea.  Em termos evolutivos, esses antigos peixes estão mais fortemente relacionados aos animais terrestres que aos próprios peixes. Observe os pares de nadadeiras. Elas apresentam um conjunto ósseo muito similar aos braços e pernas de animais terrestres.

             Essas criaturas apresentam uma fascinante estória na qual o nosso conhecimento do mundo é, às vezes, aumentado por fatos inesperados: até 1938 achava-se que todas as espécies de Celacantos estivessem extintas há mais de 70 milhões de anos; porém, em dezembro de 1938, um pescador da costa leste da África do Sul pescou um Celacanto vivo como o mostrado na fotografia acima. Ele era tão similar aos seus antigos parentes que recebeu o nome de "fóssil vivo". A partir dessa fabulosa descoberta, cientistas tentavam encontrar  novos Celacantos  vivos e, finalmente, conseguiram localizar novos Celacantos nas Ilhas Comoros, norte de Madagascar. Mais de 200 espécies já foram encontradas naquela região.  Em 1975, cientistas do Departamento de Ictiologia do Museu Americano de História Natural dissecaram um Celacanto. Era uma fêmea com cinco "bebês" completamento formados dentro do ventre, indicando que os ovos dos Celacantos eclodiam internamente no corpo da mãe. Tal tipo de característica reprodutiva faz com que os Celacantos tenham poucos filhos por gestação e portanto, poucos descendentes; sendo bastantes vulneráveis e uma pesca predatória poderia extinguí-los.  Medidas de proteção estão sendo tomadas para que as  espécies encontradas continuem sendo um elo vivo entre o presente e o antigo passado.

(Fotografia: American Museum of Natural History)

 

 

 

 

Pterossauro Anhangüera: o "velho demônio"

                                                (Fotografia: American Museum of Natural History)

                                 

                                 Há 110 milhões de anos uma espécie de Pterossauro chamada Anhaguera (palavra indígena que significa "velho demônio") voava sobre as águas de um grande mar interior numa região que agora é o nordeste do Brasil. Apresentavam asas parecidas com as do morcego e podiam atingir mais de cinco metros de envergadura.    Esta espécie foi encontrada na Formação Santana, no nordeste do Brasil, uma das  regiões mais ricas em fósseis em todo o mundo.   O Anhanguera não tinha  cauda, indicando, em termos evolucionários, ser uma das espécies mais avançadas visto que a cauda é uma característica  que apareceu nos primeiros pterossauros e foi desaparecendo à medida que o grupo evoluia. Entretanto, o Anhaguera possuia dentes e os membros ainda mais avançados desse grupo não possuiam dentes. O Anhaguera tinha um grande crânio, pescoço longo e um corpo relativamente pequeno. Os ossos da coluna vertebral eram soldados uns aos outros bem como as costelas e o esterno (osso do peito). Esta estrutura formava uma caixa rígida onde os grandes músculos  de vôo ficavam ligados; muito diferente da estrutura dos pássaros modernos que voam. Alguns cientistas acham que os pterossauros apenas planavam no ar aproveitando as correntes ascendentes de ar  e eram voadores com pouca destreza.  Outros estudos indicam que os pterossauros tinham uma característica própria do grupo em termos do arranjo muscular que permitiam os mesmos alçar vôos.  Ainda, os fósseis são encontrados em formações que foram antigos mares, indicando que os mesmos deixavam a terra firme e se aventuravam ao mar em busca de alimentos, assim, deveriam ser ótimos voadores. A protuberância estreita ao longo do focinho poderia funcionar como um estabilizador para a cabeça do animal dentro da água enquanto pescava peixes em pleno vôo.


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