A
história de São Tomé e Príncipe, duas
pequenas ilhas da costa ocidental africana, próximas à
Guiné, inclui uma era trágica. Em 1493, um ano após
os judeus serem expulsos da Espanha, uma grande porcentagem deles
se refugiaram em Portugal, onde o édito de expulsão
só foi decretado em 1496. O rei Manuel I, de Portugal,
na procura de fundos para financiar seu programa de expansão
colonial, passou a cobrar dos judeus impostos exorbitantes, dando
a eles pouco tempo para pagar e multas para aqueles que não
pagassem a tempo.
O
rei queria colonizar as ilhas de São Tomé e Príncipe
(para "branquear a população", como ele
mesmo colocou), mas os portugueses recusavam fixar-se naquelas
ilhas cálidas e infestadas de crocodilos. Como parecia
pouco provável que a maioria dos judeus pagasse os impostos,
por padecerem necessidades, o rei deportou seus pequenos filhos,
de idade entre 2 e 10 anos, para São Tomé e Príncipe.
No porto de Lisboa, não menos que 2000 crianças
foram separadas de seus pais e postos em barcos como escravos
(Rabi Samuel Usque relata isso em seu livro, "Os Sofrimentos
e Tribulações de Israel"). Em um ano, apenas
600 crianças permaneciam vivas. Usque relata que quando
os pais viram que a deportação era inevitável,
eles passaram às crianças a importância de
observar as Leis de Moisés; e alguns até casaram
suas crianças.
Os esforços
dos pais aparentemente não foram em vão, como relatam
os rumores que chegaram ao Ofício da Inquisição
em Lisboa de que em São Tomé e Príncipe havia
incidentes de clara observância judaica. A Igreja Católica
Romana foi grandemente afrontada. O bispo nomeado a São
Tomé e Príncipe em 1616, Pedro da Cunha Lobo, ficou
atormentado com o problema. Em 1621 ele foi acordado por uma procissão,
levantada para confrontá-los, e foi insultado tão
sinceramente que em desgosto ele desistiu e pegou o primeiro navio
de volta para Portugal.
Havia um
certo fluxo de judeus comerciantes de cacau e açúcar
nas ilhas nos séculos XIX e XX, dois deles estão
enterrados no cemitério de São Tomé e Príncipe.
Hoje
ainda podem ser achados os descendentes das crianças escravizadas.
Alguns costumes judaicos permanecem, embora misturados com os
valores e cultura da sociedade crioula.