O Antisemitismo Medieval
Em toda sociedade, o diferente é visto com maus
olhos, temido e discriminado. E os judeus, fiéis aos seus
valores e tradições, foram sempre "os diferentes"
nas distintas sociedades que encontraram na Diáspora, o corpo
estranho que supostamente desestabilizaria o equilíbrio social
e que precisava ser confrontado. Como agravantes a essa intolerância,
fatores de ordem política e econômica:
Os
israelitas, na Idade Média, eram a população
não-eclesiástica que mais se dedicava ao estudo,
e por isso estavam mais qualificados para assumir cargos públicos.
Este fato foi por várias vezes motivo de descontentamento
da população cristã, enciumada.
Também
na Idade Média, já que a maior parte da população
cristã estava presa às amarras feudais e vivia da
agricultura, os judeus originaram a burguesia. Eram profissionais
liberais e comerciantes, de suma importância para as economias
regionais, eram os que possuíam os recursos para servirem
de fiadores dos gastos do clero e da nobreza nos tempos de crise.
E assim clero e nobreza se tornaram grandes devedores de banqueiros
judeus.
É interessante notar que foi exatamente no período
em que o mundo feudal ruía, que os judeus foram expulsos
de suas casas, tiveram todos os seus bens espoliados, passando a
viver na miséria, sob ameaça de morte.
Nobreza
e clero se dedicaram à manipulação das massas
ignorantes, incitando-os à violência anti-semita
e criando mitos, monstrificando os judeus. Os judeus foram
acusados do assassinato de Jesus, de infestar a Europa com
a Peste Negra, numa suposta conspiração judaica
para dominar o mundo; envenenar águas, profanar hóstias,
sacrificar crianças em rituais malignos, e de muitas outras
barbaridades. Os resultados da difamação foram os
inúmeros assédios às judiarias e o apoio
popular à "Santa" Inquisição, na
verdade um mercado, que usava falsamente o nome do Senhor para
condenar judeus e confiscar os seus bens.
A ambição foi a real causa das barbáries da
Inquisição, repetidas no Holocausto. Hoje o revisionismo
histórico tenta atenuar, mascarar e até mesmo apagar
as evidências deixadas por esses tristes e reais acontecimentos,
lançando sementes que sujeitarão futuras gerações
a repeti-los. E para isso, parece-nos que até mesmo o Vaticano
corrobora, sustentando o projeto de canonização da
rainha Isabel, a instauradora da Inquisição Espanhola
e co-responsável pela morte de dezenas de milhares de pessoas.
Página
por Yacov DaCosta.- e-mail
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Revisado em:
21-Out-2003
No ar desde
16 de agosto de 2001. |