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Alexandre Sobrïno
Aqui vai uma regra geral para assistir a este episódio: esqueça os filmes anteriores. H20 nada mais é do que uma grande celebração aos vinte anos da série, idealizada pela própria atriz Jamie Lee Curtis, a eterna "Rainha do Grito". Portanto, o filme não faz qualquer menção às quatro últimas continuações: as referências vão até H2. E só.
Com a presença de Curtis, ficou fácil escrever um roteiro atraente: o filme começa no dia 29 de Outubro, quando a enfermeira de Dr. Loomis, Marion Chambers (Stephens, também atriz do filme original) chega do trabalho e descobre que sua casa foi arrombada. Antes de morrer nas mãos de Michael Myers, percebe que o psicopata revirou os arquivos do finado Dr. Loomis e encontrou a ficha de Laurie Strode, descobrindo, vinte anos depois, que a irmã está viva: usando o nome de Keri Tate, Strode agora é diretora de uma escola de luxo e vive com o filho John (o limitado Hartnett). Mesmo depois de tantos anos, Laurie ainda tem constantes pesadelos com o irmão assassino (aqui interpretado pelo dublê Chris Durand, que faz um Michael Myers convincente, favorecido pelo grande arsenal de máscaras). O aguardado (e inteligente) encontro dos dois é só uma questão de tempo...
As referências aos dois primeiros filmes dão o tom deste capítulo - confira algumas delas: (1) "Mr. Sandman", uma das canções-título do primeiro filme começa a tocar no carro e Laurie, irritada, desliga o rádio; (2) Enquanto tranca o filho e a namorada dele em um armário durante um ataque do irmão, Laurie repete a frase de H1: "do as I say !" ("façam o que eu digo !"); (3) Janet Leigh (a mocinha de Psicose e mãe de Curtis na vida real), também funcionária da escola, aconselhando Laurie, não perde a oportunidade: "se me permite ser um pouco maternal (...)". Impagável ! O roteiro, inteligente, é de Robert Zappia (que recebeu ordens para ignorar os filmes anteriores), com o toque mágico (não creditado) de Kevin "Pânico" Williamson (aliás, note que Jamie Lloyd, que seria filha da própria Laurie, sequer é mencionada neste H20). A direção, eficiente, fica a cargo do experiente Steve Miner, o mesmo de Sexta-feira 13 Partes 2 e 3. A tradicional trilha sonora, aqui conduzida por John Ottman, dá o clima do filme, mas, fora a presença dos violinos, a mesmíssima versão do tema repete-se à exaustão (Alan Howarth, dos filmes anteriores, teria feito melhor). Por fim, eu não poderia encerrar esta crítica sem dizer que é quase inadmissível que Myers não tenha qualquer cicatriz nas mãos, depois de ter sido queimado vivo no final de H2. Aliás, quando Laurie chama o nome do irmão no surpreendente final (eu quase não acreditei quando assisti !), prensado entre o carro e a árvore, por que será que Myers (ou quem quer que seja) coloca as mãos sobre a máscara como se tivesse estranhando o fato de estar usando-a ? E o físico e a aparência jovial, para quem já foi queimado e baleado tantas vezes ? Apesar destas observações (que não comprometem) e da brevidade do filme (este é o capítulo mais curto da série), H20 é uma ótima diversão e conseguiu trazer novo ânimo à série após o fracasso de H6: obviamente, quase todo mérito é de Curtis, que aceitou um cachê quase "simbólico" para participar do filme. Confira !
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