1918


Assuntos internacionais

O russo perguntando ao alemão: "Oh, Fritz... para que foi que nós morremos?"

Charge de J. Carlos para a revista Careta

 

Brasil

Ambulatório da Cruz Vermelha (Rio, 1918)

Veja, ilustre passageiro,

O belo tipo faceiro

Que o senhor tem ao seu lado.

No entanto acredite

Quase morreu de bronquite:

Salvou-o o Rhum Creosotado.

 

Carnaval

O Matuto com Mário Pinheiro (1918)

Quanto foi da meia-noite

Para o dia

Que eu deixei com cortesia

Minha terra, o Ceará

As fôias veia já caía pela estrada

Vim marchando na picada

Só na seca a matuta ah!

 

Pro sertão do Ceará

Tomara eu já vortá

Tomara eu já vortá

 

No cemitério os mortos

Se alevantaram

Uns aos outros perguntaram

Que eu havera de querer?

Nas catacumbas os defunto

Inté gemia

No céu as coruja ria

Eu mesmo não sei porque ah!

 

As santa fêmea na igreja

Já chorava

Os santos macho me olhava

Com cada olho assim

Até os galo e as galinha

Não sabia

De corre pra onde havia

Tudo com medo de mim ah!

 

 

O malhador com Bahiano (1918)

Maiadô, que maia dança

Quem dança maia também

Ô Maiadô, sem faia

Samba, quem samba maia por bem

Minha frô, caboca

Sacode o vestido bem

 

Ó trepa Antonho

Siri tá no pau

Samba demonho

Siri tá no pau

Samba no sonho

Siri tá no pau

Não me envergonho

Siri tá no pau

 

Fala: - Me explique, meu nego, você já viu peiixe morrê afogado?

- Não, meu bem, já vi o aeroplano morrê de fome.

 

Maiadô

Samba seja como fô

Samba bem com teu amô

Não sossega de maiá

 

Maiadô

Por onde passa

No campo bambeia, diacho

Ô maiadô

Padrão de samba

Mas faça o passo mais fácil

Minha frô, mulata

Faz tempo que o nego vem

 

Sambô... gostô...

Siri tá no pau

Dança feitô...

Siri tá no pau

Mas não falhô

Sirí tá no pau

Ô maiadô

Siri tá no pau

 

Fala: - Explique, meu nego, o mundo da lua é hhabitado?

- É, meu bem, este ano vêm assistir o carnaval.

 

Maiadô samba

E samba com fervô

Quem maia sabe sambá

Quem samba sabe gozá

 

Maiadô danado

Samba diante de mim, quero vê

Ó maiadô cansado

Tu ficará sem querê me benzê

Mulatinha diacho

Faz o teu passo bem baixo

 

Samba bonito

Sirí tá no pau

Senão eu grito

Sirí tá no pau

Passa no bico

Sirí tá no pau

Samba mardito

Sirí tá no pau

 

Fala: - Explique, meu nêgo, qual é o peixe quee você mais gosta?

- É de pirarucu, meu bem

 

Dança bonito

Sirí tá no pau

Senão eu grito

Sirí tá no pau

Passa no bico

Sirí tá no pau

Samba mardito

Sirí tá no pau

 

Maiadô

Dá um jeito que o barco vem

E não respeita ninguém

Se maia, maia também

 

1. Ary Vasconcelos credita Walfrido Silva na parceria de O malhador enquanto a Discografia Brasileira em 78 rpm, Mauro de Almeida. A letra foi extraída, em sua maioria, da gravação original, portanto, certas expressões incompreensíveis, estão passíveis de erro.

 

Partitura original

Quem são eles com Bahiano (1918)

A Bahia é terra boa

Ela lá e eu aqui - Yayá

Ai, ai, ai

Não era assim que meu bem chorava

 

Não precisa pedir eu que eu vou dar

Dinheiro não tenho mas vou roubar

 

Carreiro olha a canga do boi

Carreiro olha a canga do boi

Toma cuidado que o luar já se foi

Ai que o luar já se foi

Ai que o luar já se foi

 

O castelo é coisa a toa

Entretanto isso não tira - Yayá

Ai, ai, ai

É lá que a brisa respira

 

Não precisa pedir que eu vou dar

Dinheiro não tenho mas vou roubar

 

Quem são eles?

Quem são eles?

Diga lá e não se avexe - Yayá

Ai, ai, ai

São peixinhos de escabeche

 

Não precisa pedir que eu vou dar

O resto do caso pra que cantar

 

O melhor do luar já se foi

O melhor do luar já se foi

Entre menina que aqui estão de horror

Ai, que aqui estão de horror

Ai, que aqui estão de horror

 

Esta música deflagrou a primeira polêmica da história da MPB. Indignados aos insultos feitos ao estado baiano (A Bahia é terra boa / Ela lá e eu aqui - Yayá), seus descendentes resolvem contra-atacar compondo: Fica calmo que aparece (Donga), Não és tão falado assim (Hilário Jovino) e a definitiva Já te digo (Pixinguinha e China).

Samba dos caiçaras com Bahiano (1918)

Moro em casa de sapé

Forrada de bambuá

Toda moça de juízo

Não devia se casá

 

Olé-le-ré

Olá-lá-rá

Jacaré com crocodila

Não tem jeito pra sentá

 

Lá fora está chovendo

Aqui dentro não chove não

Vou beijar a moreninha

Com prazer no coração

 

Olé-le-ré

Olá-lá-rá

Jacaré não vai ao baile

Porque não sabe dançar

 

Bate palma para dentro

Bate palma para fora

Quando venta a viração

Abre o pano e vai-se embora

 

Olé-le-ré

Olá-lá-rá

Balança que pesa ouro

Não pesa outro metá

 

Lá por riba daquele morro

Não passa boi nem boiada

Pois eu vejo simplesmente

O rosto da namorada

 

 

 

A carta que te mandei

Que te mandei

Foi papé das minha mão

Das minha mão

 

A tinta foi dos meus óio

Dos meus óio

A pena meu coração

Meu coração

 

Vamo Maruca, Vamo

Vamo pra Jundiaí

Com os outro vancê vai

Só comigo não quer ir

 

Não vou não

Não vou, não quero ir

Longe de meus parente

Vancê qué buzá de mim

 

A baratinha com Bahiano (1917)

 

Chega, chega minha gente

Que o choro vai começá

Repara como é gostoso

Este samba de matá

 

A baratinha, a baratinha

A baratinha bateu asas e voou

A baratinha, iá iá

A baratinha, iô iô

A baratinha bateu asas e voou

 

Perna de porco é presunto

Mão de vaca é mocotó

Quem quiser viver feliz

Deve sempre dormir só

 

Minha menina faceira

Cinturinha de retrós

Põe a chaleira no fogo

Vai quentá café pra nós

 

Menina da saia curta

Que mora lá no riacho

Atrepa neste coqueiro

Joga-me os cocos pra baixo

 

 

 


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