
1918
A Alemanha se rende. Fim da 1ª Guerra Mundial.
O russo perguntando ao alemão: "Oh, Fritz... para que foi que nós morremos?"
Charge de J. Carlos para a revista Careta
Em Nova York começa a ser adotado o semáforo de três cores, em substituição aos anteriores: go (siga) e stop (pare).
Baseado no romance de Edgar Rice Burroughs, estréia no cinema (mudo), Tarzan dos macacos (Tarzan of the apes), dirigido por Scott Sidney, estrelado pelo robusto Elmo Lincoln.
Presidente: com o afastamento de Rodrigues Alves (gripe espanhola) em 15/11 toma posse interinamente Delfim Moreira (1918 ~ 1919).
Auge da gripe espanhola: em São Paulo, no mês de outubro, 8 mil mortes em apenas 4 dias. No Brasil inteiro morrem 300 mil (20 milhões no mundo).
É fundada a indústria de elevadores Villares.
Em
todos os bondes lia-se o reclame escrito por Bastos Tigre:
Veja,
ilustre passageiro,
O
belo tipo faceiro
Que
o senhor tem ao seu lado.
No
entanto acredite
Quase morreu de bronquite:
Salvou-o o Rhum Creosotado.
Portinari, com 15 anos inscreve-se no curso livre de pintura da Escola Nacional de Belas-Artes.
Monteiro Lobato editou seu primeiro livro de contos, Urupês, no qual surge o famoso personagem Jeca Tatu.
É fundado o Cordão do Bola Preta. (Seu hino? Somente em 1961: Marcha do Cordão do Bola Preta (Quem não chora não mama) de Vicenta Paiva e Nélson Barbosa, gravado por Carmen Costa.
No Rio, foi realizado o primeiro Baile dos Artistas no Teatro Fenix, com a presença de poetas, escritores, pintores, escultores etc.
O matuto, cateretê de Marcelo Tupinambá e Cândido Costa, gravado na Casa Edison por Mário Pinheiro:
Quanto
foi da meia-noite
Para
o dia
Que
eu deixei com cortesia
Minha
terra, o Ceará
As
fôias veia já caía pela estrada
Vim
marchando na picada
Só
na seca a matuta ah!
Pro
sertão do Ceará
Tomara
eu já vortá
Tomara
eu já vortá
No
cemitério os mortos
Se
alevantaram
Uns
aos outros perguntaram
Que
eu havera de querer?
Nas
catacumbas os defunto
Inté
gemia
No
céu as coruja ria
Eu
mesmo não sei porque ah!
As
santa fêmea na igreja
Já
chorava
Os
santos macho me olhava
Com
cada olho assim
Até
os galo e as galinha
Não
sabia
De
corre pra onde havia
Tudo com medo de mim ah!
O malhador, samba de Donga (Ernesto dos Santos) e Pixinguinha, gravado na Casa Edison por Bahiano: 1
Maiadô, que maia dança
Quem dança maia também
Ô Maiadô, sem faia
Samba, quem samba maia por bem
Minha frô, caboca
Sacode o vestido bem
Ó trepa Antonho
Siri tá no pau
Samba demonho
Siri tá no pau
Samba no sonho
Siri tá no pau
Não me envergonho
Siri tá no pau
Fala: - Me explique, meu nego, você já viu peiixe morrê afogado?
- Não, meu bem, já vi o aeroplano morrê de fome.
Maiadô
Samba seja como fô
Samba bem com teu amô
Não sossega de maiá
Maiadô
Por onde passa
No campo bambeia, diacho
Ô maiadô
Padrão de samba
Mas faça o passo mais fácil
Minha frô, mulata
Faz tempo que o nego vem
Sambô... gostô...
Siri tá no pau
Dança feitô...
Siri tá no pau
Mas não falhô
Sirí tá no pau
Ô maiadô
Siri tá no pau
Fala: - Explique, meu nego, o mundo da lua é hhabitado?
- É, meu bem, este ano vêm assistir o carnaval.
Maiadô samba
E samba com fervô
Quem maia sabe sambá
Quem samba sabe gozá
Maiadô danado
Samba diante de mim, quero vê
Ó maiadô cansado
Tu ficará sem querê me benzê
Mulatinha diacho
Faz o teu passo bem baixo
Samba bonito
Sirí tá no pau
Senão eu grito
Sirí tá no pau
Passa no bico
Sirí tá no pau
Samba mardito
Sirí tá no pau
Fala: - Explique, meu nêgo, qual é o peixe quee você mais gosta?
- É de pirarucu, meu bem
Dança bonito
Sirí tá no pau
Senão eu grito
Sirí tá no pau
Passa no bico
Sirí tá no pau
Samba mardito
Sirí tá no pau
Maiadô
Dá um jeito que o barco vem
E não respeita ninguém
Se maia, maia também
1. Ary Vasconcelos credita Walfrido Silva na parceria de O malhador enquanto a Discografia Brasileira em 78 rpm, Mauro de Almeida. A letra foi extraída, em sua maioria, da gravação original, portanto, certas expressões incompreensíveis, estão passíveis de erro.
O boi no telhado, tango de Zé Boiadeiro (José Monteiro), partitura editada pela casa Viúva Guerreiro & Cia.
Quem são eles?, 1º samba de Sinhô, gravado na Casa Edison por Bahiano:
A Bahia é terra boa
Ela lá e eu aqui - Yayá
Ai, ai, ai
Não era assim que meu bem chorava
Não precisa pedir eu que eu vou dar
Dinheiro não tenho mas vou roubar
Carreiro olha a canga do boi
Carreiro olha a canga do boi
Toma cuidado que o luar já se foi
Ai que o luar já se foi
Ai que o luar já se foi
O castelo é coisa a toa
Entretanto isso não tira - Yayá
Ai, ai, ai
É lá que a brisa respira
Não precisa pedir que eu vou dar
Dinheiro não tenho mas vou roubar
Quem são eles?
Quem são eles?
Diga lá e não se avexe - Yayá
Ai, ai, ai
São peixinhos de escabeche
Não precisa pedir que eu vou dar
O resto do caso pra que cantar
O melhor do luar já se foi
O melhor do luar já se foi
Entre menina que aqui estão de horror
Ai, que aqui estão de horror
Ai, que aqui estão de horror
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Esta música deflagrou a primeira polêmica da história da MPB. Indignados aos insultos feitos ao estado baiano (A Bahia é terra boa / Ela lá e eu aqui - Yayá), seus descendentes resolvem contra-atacar compondo: Fica calmo que aparece (Donga), Não és tão falado assim (Hilário Jovino) e a definitiva Já te digo (Pixinguinha e China). |
Samba dos caiçaras, samba de J. N. da Silva Sobrinho, gravado na Casa Edison por Bahiano:
Moro em casa de sapé
Forrada de bambuá
Toda moça de juízo
Não devia se casá
Olé-le-ré
Olá-lá-rá
Jacaré com crocodila
Não tem jeito pra sentá
Lá fora está chovendo
Aqui dentro não chove não
Vou beijar a moreninha
Com prazer no coração
Olé-le-ré
Olá-lá-rá
Jacaré não vai ao baile
Porque não sabe dançar
Bate palma para dentro
Bate palma para fora
Quando venta a viração
Abre o pano e vai-se embora
Olé-le-ré
Olá-lá-rá
Balança que pesa ouro
Não pesa outro metá
Lá por riba daquele morro
Não passa boi nem boiada
Pois eu vejo simplesmente
O rosto da namorada
Vamo Maruca, vamo, samba (cateretê) de Juca Castro e Paixão Trindade. A gravação original é do próprio autor na Phoenix.
A carta que te mandei
Que te mandei
Foi papé das minha mão
Das minha mão
A tinta foi dos meus óio
Dos meus óio
A pena meu coração
Meu coração
Vamo Maruca, Vamo
Vamo pra Jundiaí
Com os outro vancê vai
Só comigo não quer ir
Não vou não
Não vou, não quero ir
Longe de meus parente
Vancê qué buzá de mim
O grande sucesso do carnaval de 1918 foi A baratinha, marchinha de Mário São João Rabello, gravada em 1917 na Casa Edison por Bahiano:
Chega,
chega minha gente
Que
o choro vai começá
Repara
como é gostoso
Este
samba de matá
A
baratinha, a baratinha
A
baratinha bateu asas e voou
A
baratinha, iá iá
A
baratinha, iô iô
A
baratinha bateu asas e voou
Perna
de porco é presunto
Mão
de vaca é mocotó
Quem
quiser viver feliz
Deve
sempre dormir só
Minha
menina faceira
Cinturinha
de retrós
Põe
a chaleira no fogo
Vai
quentá café pra nós
Menina
da saia curta
Que
mora lá no riacho
Atrepa
neste coqueiro
Joga-me os cocos pra baixo
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