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FEDERAÇÃO TRANSMONTANO DURIENSE DE BANDAS FILARMÓNICAS
(Fundada em 1999)
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Associação Recreativa Cultural e Musical

 do Concelho de Sabrosa

5060 - Sabrosa

Telm:  939946010

HISTORIAL

Segundo a tradição, a primeira Banda de Música de Sabrosa foi formada na segunda metade do séc. XIX. Nessa altura terá existido também uma tuna que se tornou célebre em todo o concelho e chegou mesmo a actuar em Vila Real. Tal tuna foi dirigida por Alfredo de Oliveira, proprietário da Farmácia Oliveira.

Durante uma exaustiva investigação recolheram-se testemunhos valiosos a partir de dados obtidos em entrevistas com pessoas idosas. Tanto Joaquim Peniche de 94 anos, como Manuel Soares da Silva de 82 anos, indicaram os anos de 1905 como data da primeira reorganização da Banda de Música. Reorganização esta iniciada por Luís Cabral, notário, Luís Teixeira Gomes, alfaiate e Sebastião Carvalho que viera de Lisboa onde tocara numa fanfarra militar.

A Banda de Música contava então com vinte e cinco músicos que iam fazer as festas de São João da Pesqueira e de Ervedosa do Douro percorrendo a pé mais de 60 km, uma vez que os transportes motorizados eram desconhecidos.

Em 1919, aquando das invasões monárquicas, «os trauliteiros» chegaram a Sabrosa num veículo automóvel armados de carabinas dirigiram-se ao edifício da Câmara Municipal onde queimaram a Bandeira da República.

Como pretendiam substituí-la pela Bandeira da Monarquia obrigaram o administrador do conselho, cujas funções correspondem as do actual Presidente da Câmara, a fazer comparecer os músicos com os respectivos instrumentos musicais no largo do município, onde iam executar o Hino da Monarquia.

      Os músicos foram-se concentrando, alguns com roupa do trabalho pois tinham saído das vinhas, mas nem todos compareceram, talvez porque fossem republicanos e não queriam tocar o Hino da carta.

A tensão foi aumentando e os «trauliteiros» iam perdendo a paciência e os dedos já trocavam os gatilhos. Foi então que o administrador do concelho chamou os músicos mais renitentes à parte, e segredou-lhes:

-         «Oh rapazes! Hoje toca-se esta, amanhã toca-se a outra!»

E foi assim que alguns músicos se livraram de ser fuzilados e os «trauliteiros» abandonaram a Vila e seguiram rumo ao Porto onde foi proclamada a efémera Monarquia do Norte.       

Em 1920, os músicos foram de automóvel para Vilas Boas, dirigidos pelo Maestro Carvalho. Os contratos começaram a chegar, a Banda de Sabrosa começava a brilhar tocando nas novenas e nas representações teatrais.

 Nos anos 30, a Banda de Música era dirigida pelo Maestro Pontes, reformado do exército, e tinha como director Rodrigo Marques. As festas de Macedo de Cavaleiros de Vilarinho de Azenhas, os célebres Carnavais de Mirandela e ainda as festas de Nossa Senhora do Amparo foram abrilhantadas pelas exibições da Banda de Música de Sabrosa.

No fim dessa década surgiram graves problemas e a banda quase desapareceu. Uma opereta da época, Margarida Marques, chegou a criticar tal situação nas seguintes quadras:

 Caixa de texto: I
Morreu lá foi a enterrar
A banda da nossa terra
Ninguém a ouve tocar
Mas do além ainda berra

II
Vestiu luto a direcção
Dos bombeiros com pesar
Dizem seus membros o cão
Lá continua a ladrar

III
O enterro foi bacana
Nunca vi tão grande dor
Mesmo a frente ia o Germano
Mais a trás o Cantador

IV
O Peniche e o Pascoal
Mais o da Adélia, João,
O Hermínio Amaral
Foram Pegar no caixão

V
O Leite levou Jesus
O Tarouca, a caldeirinha
E o nosso Tomás Cruz
Entoou a Ladainha

VI
Descansa em Paz, desditosa
Pode ser que ainda um dia
Ressuscites orgulhosa
E sejas nossa alegria

 

 

 

 
 
 

 

 

 

  

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A partir de 1955, a Banda de Música começou a ser dirigida por um dos mais célebres maestros da sua história, foi ele o Maestro Esteves, cuja morte em 1960 levou de novo a Banda de Música a uma situação apagada. Alfredo Vasconcelos e Silvério Azevedo (Pai), faziam parte da direcção durante o referido período, destacando-se dela Florindo Augusto Calhelha, cujos talentos de actor foram apreciados durante mais de meio século pelos Sabrosenses.

Em Outubro de 1962, toma posse uma nova direcção, constituída pelo Padre José Gil, António Rodrigues e Guilherme Marques Soares. Durante este período adquiriu-se um fardamento e instrumentos novos, assim como outros foram enviados para reparação. É, então, contratado o Maestro Laurentino Macedo que viria a reger a Banda de Música até 1968.

    Em 1964, a Banda de Música distingue-se nas Festas de Sanfins do Douro e nos dois anos seguintes em Macedo de Cavaleiros, Jevelim, Olmos, Santo Ambrósio, Murça, etc.

    Em 1965, a Banda de Música foi distinguida nas festas de Vila Real pela qualidade da execução musical face a outras Bandas de Música.

Em Janeiro de 1968, é formada uma nova Direcção constituída por António Gomes Alves, José Emílio Varela e António Bernardo Cruz que, embora tivesse conseguido alguns contratos, não impediu a desorganização em Setembro desse mesmo ano. A Guerra Colonial e a Emigração causaram grandes danos à Banda de Música de Sabrosa, pois muitos dos seus elementos viram-se obrigados a partir.

Alguns músicos, honra lhes seja feita, conservaram carinhosamente os instrumentos que ainda hoje existem. A maior parte do repertório e alguns instrumentos viriam a deteriorar-se ou desaparecer. Em 1973 gorou-se uma tentativa de reorganização iniciada em 1972 com a formação de uma escola de música dirigida por Germano Calhelha.

Desde essa época para cá, pode-se dizer que a Banda de Música começou a morrer aos poucos e os esforços de alguns músicos cheios de vontade, pouco ajudaram na sua reorganização.

Decorria o ano de 1979, quando um grupo de jovens Sabrosenses constituído por António Manuel da Rocha Soares, Fernando da Cruz Lapa, José Francisco Marques Cuevas, José Francisco Soares e José Augusto Alves Narciso, conscientes de que era urgente recuperar a Banda de Música, organizou uma exposição sobre as actividades culturais que no passado tinham projectado o nome de Sabrosa. Tal exposição constituída por fotografias e programas de rádio esteve patente ao público na praça D. António Valente da Fonseca tendo sido vista por numerosos Sabrosenses.

Paralelamente, foi lançada a ideia de recuperar a Banda de Música do estado lastimoso em que se encontrava, pois restavam apenas alguns velhos músicos instrumentos gastos. Parte do património da Banda já se encontrava disperso. A bandeira bordada a ouro e o respectivo mastro que tinha sido oferecida à banda nos anos 60, por Manuel Camposana Araújo, que angariou em Luanda fundos para a sua execução, já se encontrava a decorar uma parte de um apartamento em Setúbal.

Porém, a recuperação da Banda de Música só seria possível caso fosse criada uma associação de carácter cultural. Surgiu então a ideia, também da autoria daquele grupo de jovens, de criar uma associação que englobasse a recuperação da Banda de Música.

Realizou-se uma assembleia-geral constituída pela ASSOCIAÇÃO RECREATIVA CULTURAL MUSICAL DO CONCELHO DE SABROSA. Com a participação de muitos Sabrosenses o passo seguinte era a celebração da escritura no cartório notarial de Sabrosa, escritura esta que foi feita no dia 8 de Outubro de 1979.

            A partir daqui, a Banda de Música de Sabrosa nunca mais morreu. De direcção em direcção, de maestro em maestro, de músico em músico, a Banda ganhou forma e recuperou o Prestigio de outrora.

Logo a seguir a esta altura, a Banda de Música de Sabrosa teve como Presidente David Gomes Esteves acompanhado por João Moreira Marques Vilela e João Baptista Vaz Araújo, este que nunca mais saiu da direcção até à data de hoje, ocupando sempre o cargo de Tesoureiro. A Banda de Música era dirigida pelo Maestro Laurentino Macedo.

A Banda de Música aos poucos ia ganhando forma. A seguinte direcção era liderada por António Lapa, José Luís da Rocha Soares e João Baptista Vaz de Araújo. Nesta altura quem passou a dirigir a Banda de Música foi o maestro e compositor Alexandre Fonseca.

Iam surgindo cada vez mais contratos, a Banda de Música projectava cada vez mais o nome de Sabrosa por todas as terras onde actuava. Novos dirigentes surgiram, desta vez liderados por Eduardo Augusto Taborda, José António Anjos Pereira, João Baptista Vaz de Araújo e João Moreira Marques Vilela. O maestro porém continuava.

Mais tarde Eduardo Augusto Taborda morre e José António Anjos Pereira toma a liderança da Direcção, juntamente com o regressado António Lapa e João Baptista Vaz de Araújo.

A entrada da nova direcção coincide com a saída do maestro Alexandre Fonseca. Foi então chamado o maestro Lino Pinto que pela primeira vez dirigia uma Banda de Música. Dado ao seu desempenho, caiu na tentação e traiu a Banda de Música de Sabrosa, indo dirigir outra Banda.

No ano seguinte surgiu por seis meses o maestro Amílcar, este maestro também tinha pouca experiência visto que era a primeira vez que dirigia uma Banda de Música. A falta de experiência levou-o a abandonar a Banda de Música de Sabrosa passado uns meses, pois não conseguiu impor o seu trabalho.

      A Banda de Música continuou e essa época foi completada pelo maestro Adão (este que já tinha dirigido a banda em 1979) e pelo Maestro Alexandre Fonseca.

      Neste ano, saíram alguns músicos mas entraram outros jovens que, hoje, são os pilares da Banda de Música de Sabrosa.

      Em 1993, foi integrado na Associação o Grupo de cantares “Sons de Outrora”, que se manteve pouco tempo na Associação visto que este se extinguiu.

Em 1999, uma nova direcção assumiu os rumos da Associação. Era constituída por João Agostinho Baptista Lacerda Pavão como Presidente, José António Anjos Pereira como Vice-Presidente, António Salviano Fernandes Cruz como Secretário, João Baptista Vaz de Araújo como Tesoureiro, e António Gonçalves Marques como Vogal. Esta direcção permanece até hoje. 

            Actualmente quem dirige a Banda é o Maestro José Gil Peixoto Magalhães, desde Dezembro de 1993.

Escola de Música da Banda de Música de Sabrosa

         Para o conhecimento da música, é sem dúvida muito importante – além de uma, técnica que só se adquire com a prática – um dom, um gosto, um sentimento sem os quais o Homem não pode aspirar ao título de artista.

            Por isso, foi necessário, que a Banda de Música de Sabrosa criasse uma Escola de Música destinada a formar novos elementos para a Banda. Esta Escola tem como formadores dois músicos da Banda, ambos estudantes de música, Cláudia Macedo e Rui Vilela, que contam também com o apoio de outros elementos da Banda. 

            Na última época de inscrições, foram efectuadas cerca de quarenta, e no prazo de quatro meses formaram-se dezoito elementos que a partir desse momento, continuaram a sua formação como músicos da Banda.

            A Escola funciona durante cinco dias por semana, e as aulas são de conteúdo teórico e prático. As aulas teóricas, baseiam-se no ensino básico da música, seguindo-se da aprendizagem de  Solfejo. As aulas práticas, baseiam-se na aprendizagem técnica da execução de cada instrumento.

            Os alunos têm entre os seis e os quinze anos de idade e têm-se mostrado empenhados no ensino musica. O resultado é positivo.

            A Escola de Música é, sem dúvida, a “árvore de frutos” da Banda, a qual deve ser respeitada com a importância merecida.

 

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