T r e s t e x t o s b r e v e s s o b r e C a s t o r i a d i s (Mensaje de Nelson, del 2/4/98) En la edicion electronica del semanario anarquista australiano "Anarchist Age", # 284, del 26 de enero de 1998, se anota una breve nota sobre Cornelius Castoriadis, que me parecio de interes divulgar en sus detalles fundamentales: "C.C. (tambien conocido por el seudonimo 'Paul Cardan') murio el 26 de diciembre de 1997 en Paris, Francia. Fue uno de los mas importantes intelectuales radicales de la postguerra y sus obras han tenido influencia destacada en areas que van desde el psicoanalisis a la filosofia politica. Nacio en Grecia en 1922, alli se afilia al Partido Comunista: a fines de los a~nos 40 viaja a Francia y se acerca al troskismo, pero en 1949 expresa fuertes criticas a esa posicion y forma el grupo "Socialisme ou Barbarie", que con sus criticas al marxismo influira en la izquierda radical, lo que se evidenciaria particularmente en el mayo frances de 1968. En las obras de Castoriadis hay un concepto de Autonomia que le aproxima al anarquismo. Para el, la autonomia se origino en la antigua Atenas y trae una nueva perspectiva "donde el ser reflexiona por si mismo las reglas que debe darse". La autonomia encontro terreno propicio en la polis ateniense: los ciudadanos (es decir, la polis) no cesan de cuestionar las instituciones que se han dado. "Este movimiento es un movimiento de explicito autoexamen, cuyo significado cardinal es autonomia: hacer nosotros mismo nuestras propias leyes..." Es importante recordar estas palabras y tratar de ponerlas en practica." Muchas de las obras de Castoriadis se han traducido al castellano: "La Institucion Imaginaria de la Sociedad", "La Sociedad Burocratica", "De la Ecologia a la Autonomia", "Las Encrucijadas del Laberinto", "La Experiencia del Movimiento Obrero", "El Mundo Fragmentado", etc. Sin ser un autor anarquista, su influencia en los medios libertarios no debe pasar por alto, aunque hay quienes tienen sus prevenciones al respecto, como es el caso de Murray Bookchin, quien ha criticado a Castoriadis desde las mismas bases con que cuestiona a Bey y otros radicales postmodernos. Nelson ============================================================== CORNELIUS CASTORIADIS: UM CRITICO IMPLACAVEL DOS DOGMAS POLITICOS Jorge E. Silva, Membro do Centro de Estudos Cultura e Cidadania (CECCA), Florianopolis / SC, Brasil Foi no seio do marxismo que se formou Cornelius Castoriadis, um dos criticos mais acidos das burocracias comunistas e um dos poucos pensadores de formacao marxista que foi capaz de demonstrar de forma clara os limites que se colocavam contemporaneamente as teorias desenvolvidas por Karl Marx no seculo 19. Nascido na Grecia em 1922, Castoriadis aderiu, durante a ocupacao nazi do seu pais ao Partido Comunista, mas logo se afastou por divergencias com a politica do partido e principalmente com os metodos adotados para abafar todas as criticas e debates internos. Naquela epoca, tal como outros dissidentes do marxismo aderiu ao trotskismo, idealizado como uma corrente marxista anti-burocratica e anti-estalinista. Nas suas palavras conseguiu sobreviver a dupla perseguicao da "Gestapo e do GPU local", ou seja a repressao nazi e estalinista, que assassinaram inumeros militantes revolucionarios na Grecia. Ai viveu a tentativa insurrecional comunista que em dezembro de 1944 tentou repetir na Grecia a estrategia da Europa de Leste onde com a derrocada do poder nazi, os comunistas se instalavam no poder sustentados pelos exercitos russos. Nao deu certo, como escreveu Castoriadis: "se a Grecia se situasse mil quilometros mais a norte, o PC teria se apossado do poder no fim da guerra e esse poder teria sido garantido pela Russia". Como nao estava, os proprios russos deixaram que o exercito ingles esmagasse a insurreicao, na pragmatica visao de Estaline, onde o que contava eram suas estrategias de consolidar no leste europeu uma ampla zona de influencia, onde nao havia lugar para acoes inoportunas como as dos comunistas gregos. Mas que regime os comunistas gregos estabeleceriam se tivessem sido vitoriosos? Essa foi a pergunta que Castoriadis logo se colocou e a qual dedicou longos anos da sua vida. Que regime era esse que o lugar comum chamava de socialistas, mas que ele profundo conhecer do marxismo e militante socialista se recusava a aceitar como tal. Foi em Franca, onde passou a viver depois de 1945, que iria aprofundar essas questoes sobre o conteudo do socialismo. Aos poucos abandonou o trotskismo, reconhecendo os limites teoricos de um movimento, que era incapaz de avancar na propria critica da Russia e do estalinismo, mesmo que fossem das principais vitimas desse regime. Afinal o proprio fundador, Leon Trostky (1879-1940), foi assassinado no seu exilio do Mexico pelos agentes de Estaline, tal como seus filhos e outros militantes o haviam sido na Russia e na Espanha. Mesmo assim vacilavam, poucos pensadores ou militantes marxistas eram capazes de encarar, principalmente no Ocidente, o problema de frente e denunciar o regime criado na Russia pela Revolucao de 1917, como um capitalismo burocratico de estado, uma nova forma perversa e totalitaria de exploracao e dominacao. Mas Castoriadis nao deixou de o fazer: "A nova concepcao da burocracia e do regime russo permite rasgar o veu mistificador da "nacionalizacao" e da "planificacao" e redescobrir, por detras das formas juridicas da propriedade e dos metodos de gestao da economia global adotados pela classe exploradora ("mercado" ou "plano"), as relacoes efetivas de producao como fundamento da divisao da sociedade em classes". Quando em 1948, fundou com Claude Lefort o grupo Socialismo ou Barbarie, que viria a durar ate 1966, iniciava um dos trabalhos teoricos mais importantes de analise dos regimes burocraticos do Leste europeu, que teria uma influencia no pensamento critico da esquerda anti-autoritaria, contrapondo-se aos discursos propagandisticas e cinicos que dominavam largos setores da esquerda, que erigiam em dogma a reverencia a Uniao Sovietica. Mesmo depois de Estaline e das proprias denuncias de militantes comunistas ou do explicito relatorio que o proprio Partido Comunista da Uniao Sovietica apresentou ao seu XX Congresso em 1956, onde se confirmavam todos os crimes que anarquistas, socialistas revolucionarios e trotskistas denunciavam desde os anos 20. A partir do final dos anos 50 Castoriadis aprofunda sua critica ao marxismo, chegando a ruptura nos anos 60 em textos como "Marxismo e Teoria Revolucionaria" (1964), quando explicita as incoerencias teoricas do marxismo, a partir da realidade da evolucao do capitalismo. Declara entao que "o fundamento economico que Marx tinha querido dar a sua obra e a perspectiva revolucionaria, e que foi considerada como inabalavel, simplesmente nao existia". Para Castoriadis "a grandeza de O Capital e da obra de Marx nao era a "ciencia" economica imaginaria que conteriam, mas sim a audacia e profundidade da visao sociologica e historica que suportam". Mas as suas crticas nao param por ai, denunciou o marxismo como nova religiao e a teoria de Marx como um imenso cadaver embalsamado, que se tornava o obstaculo principal a uma nova reflexao sobre a realidade atual. E constata a grande contradicao do marxismo contemporaneo: "Se o marxismo e verdadeiro, entao, segundo os seus proprios criterios, a sua verdade historica efetiva encontra-se na pratica historica que o animou, isto e, na burocracia russa e chinesa.(...) E se nao se admite a conclusao, entao e preciso recusar a premissa e aceitar que o marxismo nao e senao um sistema de ideias entre outros". A partir de entao, desmontados os dogmas do "socialismo real" e da "socialismo cientifico", Castoriadis dedica-se a desenvolver seus conceitos de autonomia, auto-organizacao e democracia direta que sao explicitamente libertarios, na certeza que nao existem verdades definitivas. Para ele a auto- instituicao permanente da sociedade era a grande questao revolucionaria contemporanea e so podia resultar da atividade "autonoma e lucida dos homens". Mas Cornelius Castoriadis nao se converteria num defensor do status quo, a exemplo de outros intelectuais de esquerda convertidos, mais ou menos tardiamente. A visao critica do mundo que vinha desde sua juventude na Grecia, resistiu aos novos tempos que alguns pretendem "de fim das utopias". Assistiu a derrocada de grande parte do projeto totalitario que se escondia atras de discursos de igualdade e fraternidade social, que ele nao se cansou de denunciar em nome dos ideais e dos homens que por isso lutaram efetivamente e tantas vezes heroicamente. Por isso, continuou defendendo um tipo de socialismo libertario cujo verdadeiro conteudo, "nao era nem o crescimento economico, nem o consumo maximo, nem o aumento do tempo livre (vazio) como tais, mas a restauracao, melhor, a instauracao pela primeira vez na historia, do dominio dos homens sobre as suas atividades e portanto sobre a sua atividade primeira, o trabalho; e que o socialismo nao tinha somente a ver com as pretendidas "grandes questoes" da sociedade, mas com a transformacao de todos os aspetos da vida e em particular com a transformacao da vida quotidiana, "a primeira das grandes questoes". Morreu em Paris em dezembro de 1997, esse pensador greco-frances que dizia: "Sabemos hoje que nao existe saber verdadeiro senao aquele que poe em questao a sua propria validade". Muitos, na esquerda latino-americana, ainda nao sabem. O QUE SE PODE LER: - A Sociedade Burocratica. Porto: Afrontamento, 1979. -As Encruzilhadas do Labirinto, 1. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987. -As Ecruzilhadas do Labirinto, Os Dominios, 2. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987. -As Encruzilhadas do Labirinto, O Mundo, 3. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987. -Os Destinos do Totalitarismo. Porto Alegre: LPM, 1987. =================================================================== UN RECUERDO VIVO Comunidad del Sur - Montevideo, febrero de 1998. El exilio y los recorridos que nos vimos obligados a seguir, significaron choques y encuentros, replanteos y exigencias de creatividad. Como tanteando en las ideas y en la geografia tuvimos que recorrer caminos, aprender idiomas e incorporar ideas desconocidos. El encuentro con Castoriadis fue un momento clave en esos momentos en que se estrechaban horizontes. Tanto para reafirmar las razones con las que explicar, a un mismo tiempo, las circunstancias dolorosas que teniamos que vivir, asi como los proyectos autogestionarios y libertarios con que queriamos enfrentarlas. Ahora, en otra vuelta de la historia que nos toco sufrir, pese a nuestro querer hacerla, hemos pasado ya un cierto tiempo desde el regreso a nuestra geografia -Uruguay- y a todas las vicisitudes que debemos soportar en esta parte del mundo, agobiada por las presiones y amenazas que convergen desde los poderes centrales que dominan el planeta y las formas locales que se asocian. Aqui lo recogido y aprendido en el exilio - entre lo que las ideas de Castoriadis tienen un lugar destacado - orienta nuestro hacer en este nuestro medio, donde creemos poder ser mas responsables y a la vez con mejores posibilidades y condiciones para ser y hacer. La desaparicion de Castoriadis nos sorprende en plena tarea, en ese quehacer que tozudamente nos planteara en sus conversaciones y escritos, con su predica y su militancia: reflexionar y dilucidar sobre esas condiciones sociohistoricas y sobre los modos para alcanzar la autonomia que como personas y como sociedad deseamos y queremos. La Comunidad del Sur ya desde fines de los 50 habia incorporado algunas de sus ideas y de sus analisis criticos, tanto del mundo capitalista como del llamado mundo socialista. La decada de los 60 las puso en la superficie de los acontecimientos y en el corazon de muchos movimientos sociales a lo largo de todo el mundo. En Uruguay la consigna de "Socialismo o barbarie" tuvo escenarios donde ocuparon un rol protagonico, que la dictadura militar convirtio en tragedia. Los a~nos de exilio en Europa, nos vieron peregrinar junto con muchos otros, en busquedas similares. Paris fue una morada reiterada y alli lo conocimos, en su propio exilio ya resuelto en integracion activa. De alguna manera su "patria", al igual que la nuestra, estaba alli donde las ansias de libertad - que el llamaba autonomia - encontraban portadores. El contacto mas directo, en Paris o en Barcelona, en Venecia y otra vez en Paris, facilito y explica la recurrencia a sus textos, en la revista Comunidad que editaramos en Estocolmo de 1976 a 1988, y la publicacion de algunos de sus escritos, primero en Estocolmo (Inf=F6r kriget - Devant la guerre - Nordan-Comunidad, 1988) y un dossier sobre su pensamiento (Comunidad no. 76, 1988) y mas recientemente en Montevideo (El imaginario social, 1990; El lenguaje libertario, 1990; La sociedad contra la politica, 1993; El mundo fragmentado, 1997; todos publicados en nuestra Editorial Nordan-Comunidad). Algunos encuentros, siempre en el campo libertario, y la convergencia en temas y actividades, facilitaron la comunicacion. Y ello explica que finalmente, ya en pleno desexilio, contaramos con su presencia en Montevideo donde pudimos organizar una serie de conferencias y de confrontaciones que enriquecieron el magma de significaciones que asomaban en los medios intelectuales (Universidad de la Republica, Facultad de Ciencias Sociales, Facultad de Psicologia) y en! los ambitos de militancia (Red de Ecologia Social, grupos barriales, movimiento libertario) al soplar vientos de esperanza postdictatoriales. De aquella visita guardamos el recuerdo de su agudeza critica al confrontarse y polemizar con politologos, sociologos y otros estudiosos de las ciencias sociales. Pero sobre todo guardamos la experiencia de su inmediata conexion con la realidad social, a traves de la lectura de las huellas de las luchas sociales que iba encontrando al recorrer las calles de Montevideo. Con avidez sus ojos iban recorriendo muros, observando las gentes y sus movimientos, las caracteristicas de barrios, calles y viviendas. En pocas horas habia detectado que recientemente se habia realizado un plebiscito sobre las posibles privatizaciones de empresas estatales, que habia merecido el rechazo por un margen bastante amplio. Y con la misma rapidez llegaron sus comentarios: "?Que representa para la gente esa oposicion a las privatizaciones? ?Cuales son los terminos del debate? Por lo que Uds. me explican, aquí tambien se da la confusion entre lo publico y lo estatal. No se visualiza que tanto la propiedad privada como la estatal son formas instituidas que legitiman la enorme desigualdad de poder economico y de poder politico, que las leyes confirman. Ellas escapan a la consideracion lucida de las personas, que terminan participando, no de la decision de lo que se hace con esos bienes, sino en la legitimacion de quienes son los que los administran en su nombre. Quedan asi ocultas o desplazadas otras formas posibles de vida social que reabsorban LO POLITICO - apropiado por los politicos profesionales - restituyendolo a LA POLITICA, entendida como actividad lucida y deliberante, cuyo objetivo es la institucion explicita de la sociedad y de las instancias de decision, orientadas a realizar fines comunes y obras publicas que la sociedad haya propuesto! deliberadamente y con la participacion directa de todos los individuos. La autonomia es el proyecto que debemos rescatar desde el imaginario radical, es decir, desde la capacidad de creacion sociohistorica que potencialmente tiene todo colectivo humano". Mas tarde ya en su caminar por los espacios de la propia Comunidad del Sur, afirmaba con una mirada cargada de satisfaccion y complicidad: "La participacion en actividades autogestionarias, en comunidades que intenten superar las relaciones reificadas y alienadas de la sociedad actual, lo veo como una manera de trabajar por la realizacion del mundo que quiero". Recordarlo es, en realidad, mantenerlo vivo tanto al analizar errores como al proyectar alternativas, siempre en la busqueda de formas autonomas comunitarias, y en la promocion de seres autonomos. Y rescatar para todos, los testimonios que muestran el diametro de su influencia y la agudeza de sus aportes.